O Cantinho que terás no coração, onde poderás as tuas emoções, aquilo que te vai no coração.
Aqui poderás publicar os teus poemas. É desta colectânea que iremos extraír, se for essa a tua vontade, aquele ou aqueles poemas que um dia, quem sabe, serão publicados na nossa Antologia de Poetas Poveiros.
Um sonho? Como é bom sonhar!
Envia-nos os teus trabalhos e, depois, comunica aos teus amigos onde fica o teu Cantinho. Aqui.
Vem daí!
Fátima Veloso.

O SONHOI
Sepúlveda
É triste e ao mesmo tempo doce o amor!
POEMAS DE MANUEL CRAVEIRO
PARA ALÉM DO AZUL
Há debaixo deste Azul
Tanta Luz e tanta Noite
Tanto Sol e tanto Frio
Tanto Abraço que sente arrepio
Porque Sonhos e Pesadelos
Navegam no mesmo Rio…
… mas para além do Azul
Já não Norte nem Sul
Nem no Horizonte acaba o Mar
Os Sonhos tomam o rumo do Vento
E libertam-se para segredar
Ecos que se propagam
no Firmamento
Para além do Azul
Começa a Noite
Para além do Azul
Começa a Solidão …
Para Além do Azul
Começa a Poesia
Fátima Veloso.

O SONHOI
"O SONHO!"
Nasce na Alma!
como Visão...
do intenso Desejo.
do Coração!
Ele é Sentido
E Fortalecido
Com AMOR!
Mas também, com DOR...
Na sua construção;
Tem de haver
Coragem! Determinação!
Muito Querer!
Com força, Lutar!
Em DEUS!
Sempre Acreditar!
Que se vai, Triunfar!
E por companhia
Ter Alegria,
de "Sorte" ter!
Assim,
"O SONHO!" pode Acontecer!
A LOUCURA
Helena Duarte
MEU MAR ! ÈS ENERGIA ! VIDA !
Meu MAR !
És Energia ! Vida !
N’areia beijada !
E por Ti !
Alimentada,
Na prateada espuma,
De cada uma,
Das tuas ondas,
Meu MAR !
Meu MAR !
És Energia, Vida !
Para meu corpo em Ti !
Se deleitar !
Em Ti !
Meu MAR !
Meu MAR !
Na tua Grandeza ! Energia ! Poder !
Meu ser, tem sede de Ti !
Precisa de absorver…
O beber… do teu frescor !
O sabor, do teu vigor !
Que revigora o meu Ser !
Meu MAR!
Em Ti !
Busco Harmonia… no deleite da tua Beleza !
Reflexo da ânsia, em te olhar…
Meu MAR!
DIVINA Natureza!
Alimento de Amor!
Dádiva, do Nosso CRIADOR!...
Helena Duarte
A LOUCURA
Um dia a loucura bateu-me à porta
Com a impertinência de um cobrador de imposto
E eu abri
E ela entrou
E então nunca mais compreendi
Porque cá estou
Num mundo, para mim, tão a contra-gosto
Numa letargia de lucidez quase morta
Jesus Cristo terá dito:
O meu reino não é deste mundo
E eu,
Muito compungido
Pesando, embora, minha condição de ateu
Sinto algo muito semelhante:
Que faço neste lixo imundo
Vivendo errante, como um proscrito
Esta sociedade já não é de todo a minha
Horroriza-me a insensatez do seu caminhar
Que fazer
Se fugir
Não é via que me preze percorrer
Nem tampouco saberia para onde ir
Enlouqueço sabendo que tenho de ficar
Aguardando a lucidez que outrora tinha
Assim, bendigo a loucura que me invade
Mas me permite navegar em águas adversas
Apaticamente
Sem dor
Ignorando até que estou demente
Transpondo cada maré no terror
De que meu grito transpareça nas conversas
E descubram o intruso que sou na sociedade
José Maria Carneiro
À Mulher
Uma palavra para ti
Mulher
Neste dia
Em que a Primavera se inicia.
Quando a Natureza,
Contente de o ser,
Num colorido sorriso
Soberana!
Me sugere o tema
E alicia a escrever,
Com idêntica ternura
À que de ti emana,
Este poema.
Quisera eu
Ele fosse portador
Do matizado de cor,
Da fragrância
Das flores do jardim
À constância
Da tua eterna primavera
Sim, mulher,
Quisera!
José Maria Carneiro
(aula de psicologia 23.03.2011- s/ o dia da mulher (8-3)
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JUNTO AO MAR
Navego nesse mar imenso, infindo,
Ouvindo a doce brisa, o marulhar…
E nessa melopeia vou seguindo
P’ra onde a maresia me levar
No céu, as densas nuvens se esvaindo
Em lágrimas que tombam sobre o mar…
E as forças lentamente vão fugindo,
E sinto-me perdido, a navegar…
Algumas aves voam lá no céu
Sob esse oculto sol, agora breu,
Amedrontadas por me ver penar
E nesta nostalgia peço a Deus
Que venha perdoar pecados meus
Que a vida insiste em não me perdoar…
Sepúlveda
Na minha aldeia havia um lindo rio
De cristalinas águas a jorrar
E quer fizesse sol, fizesse frio,
A gente ia até lá, p’ra se banhar.
E era para nós um desafio
Passar pela turbina a trabalhar,
Atravessar o dique corredio
E ir na outra margem passear.
Seguíamos cantando por ali fora
Aqui colhendo zimbro, ali amora,
E desfrutando os sons da natureza.
E ao regressar a casa, p’la noitinha,
O nosso coração não se continha
Por termos desfrutado tal beleza!
José Sepúlveda
A NATUREZA
Ao contemplar um dia a natureza
Eu achei nela uma ternura infinda,
Mas vi também que toda essa beleza
Não era como outrora a mais linda
Ainda há pássaros de muitas cores
E flores belas e também cheirosas,
Mas os espinhos nascem nessas flores
E eis que murcham mesmo as belas rosas
Por todo o canto só se vêem tristezas,
A natureza morre dia a dia
E aquilo que já foi grande beleza
Agora sofre angústia e nostalgia
Em toda a parte há morte, se vê dor,
Nem alegria há, nem bem estar,
Os homens já não vivem esse amor,
Resolvem suas coisas a lutar
Então minha alma aqui se entristeceu
Mas logo um raio de luz me fez lembrar
Que o bom Jesus por nós na cruz morreu
E todo o mal irá fazer findar
E quando essa manhã feliz raiar,
Jesus voltar nas nuvens lá dos céus,
Todo este sofrimento irá findar
Quando levar consigo os filhos seus
A morte, a dor, a guerra findarão
E tudo o que é tristeza se desfaz
Os nossos mais queridos voltarão
E o belo mundo de novo terá paz
Ana Maria Sincer
O Que é o Amor
É triste e ao mesmo tempo doce o amor!
É algo que se sente e faz sofrer,
É dor que fere, sem sequer doer,
É nosso sentimento interior
Mas esse amor se não retribuído
Irá fazer sofrer alguém que ama
E que deseja que essa mesma chama
Arda também num coração amigo.
Amor, é o companheiro que se alcança,
Mas traz desilusões, perda de esperança
E deixa em nosso ser amarga dor
Essa palavra doce e tão querida
E tantas vezes não retribuída
É simplesmente e tão-somente AMOR
Amy Dine
1967 - Lobito
POEMAS DE ISABEL SIMÕES
CESTINHA DE VIME
Numa cesta pequenina
De raminhos entrançados
Várias coisas eu meti
Em tempos que já lá vão.
Flores que no campo colhi,
Amores perfeitos do jardim,
Cardos e papoulas rubras,
Espigas de trigo douradas,
E teus carinhos sem fim…
Recordações variadas.
Peguei num laço e atei,
Ficou tudo bem guardado
E se estou triste,cansada…
Eu com paciência desato
Toda uma vida vivida
De encantos e desencantos
Toda uma vida passada !
Isabel Simões
O MAR NA ESPLANADA
Repara
O que vês ?
Um disco luminoso
Da cor do fogo,
A cair do ar
Lenta
Tranquilamente,
Na nudez longínqua do nosso mar,
Largo
Formoso.
Quanta beleza !
Debruçado na esplanada,
Deixa-te embalar
Pelo sussurrar das ondas
Lambendo as pegadas na areia
Quais seios bamboleantes
De formosa sereia !
Quanta doçura !
Do cheiro forte a maresia,
Surge a ninfa do sargaço
Quais cabelos doirados
Caídos no teu regaço !
Quanta ternura !
Do manto estrelado do céu
Surge a princesa lua
Rodeada por um rosário,
Bela
Doce
Nua !
Quanta candura !
E embalado pelo seu cantar,
Respirando o seu odor,
Iluminado pelo luar
Adormeceste o meu Amor !
Manuel Craveiro
POEMAS DE DOMINGOS BARROS
AMIZADE
Muitos amigos que passam
Na nossa vida a correr
Não reparamos sequer
Que tínhamos de os compreender
Compreender é a razão
De todo o nosso existir
Quantas vezes precisamos
De alguém para repartir.
È dando que se recebe
Diz-nos um grande ditado
Fazemos tudo ao contrário
Queremos tudo dobrado.
Dobrado é o nosso lema
Em algumas situações
Quantas vezes não sentimos
Muitas das repreensões
E quantos de outra cor
Raça ou religião
Longe n’algum sitio
Estão em confusão.
Domingos Barros
POEMAS DE CAROLINA SÁ
MEUS CASTELOS DE AREIA
Meus castelos de areia construí
Neles, fui princesa…
Dele, fui escrava…
Snhei !!!...
Queria histórias deslumbrantes !
Mas… que é deles ?!...
Ruíram…
Pouco sobrou !...
Apenas lembranças…
Onde estão os meus sonhos ?!
Onde ficou todo o carinho,
Todo o amor ,
Toda a ternura,
Que neles depositei ?!
Onde pairam as flores que plantei ?!
O céu azul que eu pintei ?!
Foram-se !...
Desfizeram-se !...
Só restam recordações !...
Nada mais !...
Eram lindos os meus castelos !
Oh ! Como eram lindos !
Mas…
Só restam escombros !...
Só resta a saudade !...
E… uma forte vontade
De os refazer.
Mas ,… não de areia…
De pedra e cal
Para durarem
E ainda trazerem
Alegria e paz
A este coração cansado
De tanto dar
E pouco ou nada receber.
Carolina Sá